Paquistão pode sediar negociações diretas EUA-Irã já neste fim de semana, diz chefe da AIEA
O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, afirmou que há possibilidade de conversas diretas entre os Estados Unidos e o Irã acontecerem já neste fim de semana, com Islamabad como palco. A declaração, dada ao jornal italiano Corriere della Sera, coloca o Paquistão no centro de uma delicada manobra diplomática, sinalizando uma possível aceleração nas tentativas de mediação de um dos conflitos mais tensos da geopolítica atual.
A iniciativa paquistanesa ganhou forma pública na terça-feira, quando o primeiro-ministro Shehbaz Sharif declarou que o país estaria pronto para sediar negociações 'significativas e conclusivas'. No entanto, a figura central por trás dos bastidores é o chefe do exército, marechal de campo Syed Asim Munir, que emergiu como o principal interlocutor entre Washington e Teerã. Fontes próximas à diplomacia revelam que o Paquistão já entregou ao Irã um plano de 15 pontos elaborado pelos Estados Unidos, um movimento que sugere negociações preparatórias substanciais já em andamento.
A possível realização das conversas em Islamabad representa uma tentativa estratégica do governo paquistanês de capitalizar sua posição única junto a ambos os lados. O anúncio de Grossi, ainda que sem detalhes adicionais, eleva a pressão e o escrutínio sobre a capacidade do Paquistão em facilitar um diálogo produtivo. O sucesso ou fracasso deste esforço terá implicações diretas não apenas para a crise nuclear iraniana, mas também para o papel do Paquistão como mediador regional e para a estabilidade de toda a região do Oriente Médio e Sul da Ásia.