Rio de Janeiro: Todos os governadores eleitos nos últimos 30 anos foram presos, cassados ou destituídos
O Rio de Janeiro completa um ciclo histórico de três décadas de governos marcados por escândalos e queda. Com a condenação do ex-governador Cláudio Castro (PL) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), todos os chefes do Executivo estadual eleitos desde os anos 1990 foram alvo de prisões, cassações de mandato ou impeachments. A decisão judicial, que considerou Castro culpado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, o torna inelegível pelos próximos oito anos e o insere definitivamente nessa lista notória.
Castro renunciou ao cargo na véspera do julgamento, numa tentativa de evitar a destituição, mas a manobra não foi suficiente. O TSE seguiu o voto da ministra relatora, Isabel Gallotti, consolidando o entendimento de que houve violação das regras eleitorais. A condenação fecha um capítulo imediato, mas o ex-governador ainda pode recorrer da decisão dentro da própria Justiça Eleitoral e, posteriormente, no Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso expõe uma anomalia política persistente no estado, onde a sucessão no Palácio Guanabara tem sido sistematicamente interrompida por intervenções judiciais. A inelegibilidade de Castro, pré-candidato ao Senado, também altera imediatamente o cenário eleitoral e coloca sob intenso escrutínio a máquina política e os métodos de campanha no Rio. O padrão recorrente levanta questões fundamentais sobre a governabilidade, a integridade das instituições e a cultura política que permitiu que essa sequência se repetisse por gerações.