Orbán ameaça cortar gás para a Ucrânia em troca de petróleo russo pelo oleoduto Druzhba
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, elevou a pressão sobre Kiev ao condicionar o fornecimento de gás à Ucrânia à retomada do fluxo de petróleo russo através do oleoduto Druzhba. A ameaça direta de cortar um suprimento energético vital para um país em guerra representa uma escalada significativa nas tensões bilaterais e coloca a Hungria em rota de colisão com os esforços europeus de isolar a Rússia.
A chantagem energética de Orbán tem como alvo o petróleo que chega à Hungria via ramal sul do Druzhba, cujo fluxo foi interrompido pela Ucrânia em 2022. A Hungria, que continua a ser um dos maiores compradores de energia russa na UE, depende criticamente desse fornecimento. A condição imposta por Budapeste transforma a Ucrânia, vítima da agressão russa, em refém de uma disputa comercial bilateral, explorando sua vulnerabilidade energética em plena guerra.
O movimento amplia a já profunda crise política entre Orbán e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e testa a coesão da União Europeia. Ao ameaçar cortar o gás de trânsito, a Hungria não apenas pressiona Kiev, mas também sinaliza sua disposição de usar a energia como arma geopolítica dentro do bloco. A situação expõe uma fissura estratégica, onde um membro da UE condiciona apoio a um país invadido à garantia de seus próprios suprimentos de um agressor.