Empresário Maurício Camisotti negocia delação premiada com PF em mega-inquérito de fraudes bilionárias no INSS
O empresário Maurício Camisotti, preso por suspeita de envolvimento em fraudes bilionárias contra o INSS, deu um passo decisivo para um acordo de colaboração. Ele prestou depoimento à Polícia Federal em São Paulo nesta terça-feira (24), em meio a negociações para uma delação premiada. A movimentação sinaliza uma aceleração nas investigações que apuram um esquema de descontos associativos que teria causado prejuízos de bilhões aos cofres da Previdência Social.
A transferência de Camisotti da penitenciária de Guarulhos para a Superintendência da PF, um dia antes do depoimento, foi uma manobra estratégica de sua defesa. O objetivo declarado é facilitar e agilizar as tratativas diretas com os investigadores, aproveitando a proximidade física com delegados para formalizar os termos do acordo. Novas oitivas e a entrega de documentos detalhando transações suspeitas estão previstas para os próximos dias, indicando que a PF busca consolidar as provas e expandir o alcance do inquérito.
O caso ocorre em um contexto de alta tensão política e institucional. Uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso investiga as mesmas fraudes, e o Supremo Tribunal Federal recentemente decidiu pela prorrogação dos trabalhos da comissão, contrariando um ministro da Corte. A possível delação de Camisotto coloca sob pressão não apenas outros investigados no esquema, mas também amplia o escrutínio sobre as falhas sistêmicas que permitiram as fraudes e sobre as articulações políticas em torno do tema, especialmente em um ano eleitoral.