PM Gisele: Coronel combinou sessão de tiros com desembargador antes da morte da soldado
A investigação sobre a morte da soldado Gisele Campos da Silva, de 23 anos, expõe uma conexão perturbadora entre o alto escalão da Polícia Militar e o Poder Judiciário do Distrito Federal. Interceptações da Polícia Civil revelam que o coronel Fábio Augusto Vieira, réu no caso, trocou mensagens com o desembargador do TJDFT, Valter de Oliveira, combinando uma sessão de tiro em um clube privado dias antes do crime. O diálogo interceptado, obtido após perícia no celular do coronel, coloca o magistrado no centro do inquérito, não como suspeito, mas como peça-chave para entender os movimentos do principal acusado.
A amizade entre o oficial da PM e o desembargador, agora documentada pela polícia, levanta questões graves sobre a influência de relações pessoais em um caso de homicídio. Gisele foi morta a tiros dentro do quartel da PM em Samambaia, em 31 de janeiro. O coronel Fábio Augusto é acusado de ser o mandante do crime, supostamente motivado pelo fim de um relacionamento com a soldado. As mensagens com o desembargador mostram a preparação de um encontro para prática de tiro, um detalhe que assume novo significado à luz da arma do crime.
A revelação submete o Tribunal de Justiça do DF a um escrutínio intenso, pressionando a instituição a se posicionar sobre a proximidade de um de seus membros com um réu em um caso de alta gravidade. A interceptação legal abre um flanco de risco para a imagem da corte, que agora precisa administrar a crise de forma transparente. O caso, que já chocou o DF pela violência e pelo abuso de autoridade, ganha uma camada adicional de complexidade, mostrando como as redes de poder podem se entrelaçar nos bastidores de uma tragédia.