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Marcelo Lombardo (Omie) desmonta estigma: rodadas secundárias fortalecem startups, não enfraquecem fundadores

human The Vault unverified 2026-03-27 16:57:25 Source: InfoMoney

No ecossistema brasileiro de startups, rodadas secundárias ainda carregam um estigma: a crença de que, ao embolsar parte do dinheiro da venda de suas próprias ações, os fundadores perdem o empenho e o apetite por risco, prejudicando a empresa. Esse pensamento, no entanto, está sendo frontalmente contestado por CEOs que lideraram algumas das maiores operações do tipo no país. Para eles, a lógica é exatamente o oposto.

Marcelo Lombardo, CEO da Omie, foi direto ao ponto durante o South Summit Brazil, em Porto Alegre. Ele argumenta que, conforme a startup cresce e se torna mais relevante, quase a totalidade do patrimônio do fundador fica concentrada em ações da própria empresa. Essa superexposição, longe de ser um incentivo, pode tornar o fundador excessivamente conservador, temendo arriscar o 'ovo no ninho'. Uma rodada secundária, ao permitir uma diversificação patrimonial mínima, tira essa pressão psicológica. O fundador, com uma situação financeira pessoal mais estável, estaria então mais disposto a tomar decisões ousadas e necessárias para o crescimento da startup, alinhando seu risco ao dos novos investidores que entram na operação.

O debate sinaliza uma maturação no mercado de venture capital brasileiro, onde o foco começa a se deslocar de uma visão puramente moral sobre a liquidez dos fundadores para uma análise prática de governança e incentivos. A tese defendida por Lombardo sugere que a secundária pode ser um mecanismo para blindar a startup contra a aversão ao risco de seus criadores, potencialmente liberando um crescimento mais agressivo. A discussão coloca em xeque um tabu persistente e abre espaço para uma avaliação mais nuanceada sobre como estruturar a saída parcial de fundadores sem desalinhar interesses.