Tarcísio co-opta MDB em São Paulo e estrangula apoio nacional do partido a Lula
A manobra política do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para filiar seu vice, Felício Ramuth, ao MDB não é uma simples troca partidária. É uma jogada estratégica que retira das mãos do presidente Lula um partido-chave para sua base de apoio nacional e o coloca no núcleo do governo paulista. A articulação, com participação direta de Tarcísio, tem um duplo objetivo imediato: blindar a sucessão no principal colégio eleitoral do país, disputada por PL e PSD, e isolar o Planalto.
Na avaliação de emedebistas de São Paulo ouvidos pelo Estadão, ao levar o MDB para a vice-governança, Tarcísio praticamente enterrou as chances de o partido compor uma aliança nacional com Lula. O movimento força o MDB a uma posição de neutralidade no cenário federal, esvaziando o esforço de Lula para ampliar sua base de sustentação no Congresso. O partido, que era cortejado pelo Palácio do Planalto, agora está institucionalmente vinculado ao projeto de poder do governador tucano.
A consequência é um realinhamento de forças que fortalece Tarcísio como um polo de oposição organizada e dificulta a governabilidade de Lula. O controle sobre a sucessão em São Paulo se consolida, enquanto o PT perde um potencial aliado de peso. A manobra expõe a fragilidade da base governista e transforma o MDB paulista em um ativo do projeto de continuidade de Tarcísio, neutralizando-o como peça no tabuleiro nacional de Lula.