Polícia Militar do Rio: Um terço das câmeras corporais não registram imagens em operações
Um terço dos arquivos das câmeras corporais da Polícia Militar do Rio de Janeiro não contêm imagens gravadas, segundo dados internos obtidos pelo jornal O Globo. A corporação classifica esses casos como 'mau uso' do equipamento, uma falha sistêmica que ocorre em meio a operações letais e que impede a transparência sobre a conduta policial.
Os dados emergem de dois episódios recentes e violentos. No Rio Comprido, quatro agentes do Bope foram afastados após uma operação que deixou seis mortos, pois suas câmeras estavam em 'mau uso' e não registraram a ação. Três dias antes, em Cascadura, três PMs do 9º BPM também foram retirados do patrulhamento após a morte da médica Andréa Marins Dias, confundida com criminosos em uma perseguição; as baterias de suas câmeras estavam descarregadas, outro caso de 'mau uso'.
A classificação 'mau uso' abrange desde equipamentos desligados, com bateria esgotada, até câmeras que não foram ativadas. A falha recorrente em um terço dos registros cria um vácuo de evidências em operações críticas, levantando questões sobre a responsabilidade institucional e a efetividade do principal instrumento criado para fiscalizar o uso da força. A ausência de imagens coloca sob escrutínio os protocolos da PM e a capacidade de apuração em casos de alta letalidade.