Ex-CEO da Petrobras expõe contradição nacional: Brasil tem petróleo, mas não tem gasolina
O Brasil enfrenta uma contradição energética gritante: é autossuficiente na produção de petróleo bruto, mas permanece dependente de importações para abastecer seus postos de combustível. A análise é de Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras e reconhecido gestor de crises, que aponta o gargalo do refino e décadas de escolhas políticas como a raiz do problema. O país extrai mais de 4 milhões de barris por dia, volume que supera em mais do dobro o consumo interno, mas essa abundância não se traduz em autonomia para os derivados essenciais.
Parente, em entrevista ao programa Hot Market da CNN Brasil, destacou que o consumidor final não utiliza petróleo bruto, mas sim seus derivados: gasolina, diesel e o GLP. A incapacidade de processar internamente a própria produção força o país a exportar o petróleo e, em seguida, importar os produtos refinados, uma dinâmica que gera vulnerabilidade aos preços internacionais e volatilidade no mercado doméstico. A crítica do ex-executivo vai direto ao cerne da política industrial e de investimentos do setor.
A exposição dessa falha estrutural coloca a Petrobras e o governo sob intenso escrutínio, evidenciando uma fragilidade estratégica em um setor vital para a economia. A dependência externa para combustíveis, apesar da riqueza em recursos naturais, representa um risco contínuo para a segurança energética e a inflação, pressionando por decisões de longo prazo que há décadas são adiadas. A fala de uma figura de alto perfil como Parente amplifica o debate sobre a necessidade urgente de expandir e modernizar a capacidade de refino nacional.