OMC falha em reforma e moratória digital após veto do Brasil em reunião de Camarões
A Organização Mundial do Comércio (OMC) sofreu um novo revés, saindo de uma reunião ministerial em Yaoundé, Camarões, sem qualquer acordo sobre um plano de reforma ou mesmo sobre a extensão de uma moratória vital para o comércio eletrônico. O fracasso aumenta a pressão sobre o órgão, que se vê cada vez mais marginalizado pela ascensão do nacionalismo econômico global, e expõe uma fissura operacional profunda.
O ponto de ruptura ocorreu quando o Brasil bloqueou uma proposta liderada pelos Estados Unidos e outros países para prolongar a moratória sobre a cobrança de taxas alfandegárias em transmissões eletrônicas, que abrange downloads digitais e serviços de streaming. As negociações de quatro dias terminaram na madrugada sem avanços, frustrando as já baixas expectativas de progresso. Andrew Wilson, secretário-geral adjunto da Câmara de Comércio Internacional, alertou que o resultado 'marca mais uma rachadura nos alicerces do sistema da OMC' e pediu ação para evitar que estados comecem a impor novas tarifas sobre serviços digitais.
A incapacidade de chegar a um consenso, mesmo em uma medida considerada por muitos como de manutenção básica, sinaliza uma paralisia crescente dentro da organização. O impasse deixa o setor de comércio digital global em um limbo regulatório, com o risco real de uma fragmentação tarifária que poderia onerar empresas e consumidores. O episódio em Camarões reforça a percepção de uma OMC enfraquecida, incapaz de responder aos desafios do comércio moderno e sob intenso escrutínio sobre sua relevância futura.