Airbnb e Booking sob pressão: Salvador cobra imposto, São Paulo mira CPI e Rio impõe novas regras
A onda de turismo recorde no Brasil está desencadeando uma reação regulatória direcionada contra as plataformas de locação temporária. Capitais como Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro estão avançando com medidas que vão da tributação específica à proibição de certos tipos de anúncios, colocando gigantes como Airbnb e Booking no centro de um conflito entre o mercado aquecido e a pressão por controle urbano.
No Rio de Janeiro, epicentro do turismo nacional com cerca de 43 mil anúncios no Airbnb, mais de 80% são de imóveis inteiros, segundo o Inside Airbnb. Esse boom não apenas alimenta um mercado imobiliário voltado para a construção de 'estúdios' para locação temporária, mas também intensifica tensões urbanas. Conflitos de vizinhança, mudanças nas relações comunitárias e a pressão sobre a oferta de moradia para residentes locais são efeitos colaterais que agora motivam a ação das prefeituras.
As respostas das cidades são distintas, mas convergem no objetivo de frear a expansão desregulada. Enquanto Salvador avança com a cobrança de impostos sobre as operações, o Rio impõe novas regras restritivas e São Paulo discute a abertura de uma CPI para investigar o setor. Este movimento coordenado sinaliza um ponto de inflexão: o modelo de negócios das plataformas, antes visto como puramente disruptivo, agora enfrenta o escrutínio de como ele impacta a estrutura das cidades e a vida de seus moradores permanentes.