Aena vence leilão do Galeão e mira coordenação estratégica com Congonhas
A vitória da Aena no leilão do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, não é apenas mais uma concessão. O movimento coloca a gigante espanhola de infraestrutura em posição de orquestrar uma operação coordenada entre o segundo principal portal internacional do Brasil e o movimentado Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Segundo Santiago Yus, presidente da subsidiária brasileira da Aena, essa coordenação é um pilar central da estratégia global do grupo e será a alavanca para oferecer “condições especiais aos clientes” em ambos os polos.
A aquisição do Galeão, por R$ 2,9 bilhões, representa uma expansão significativa do portfólio da Aena no país, que até então operava apenas terminais domésticos e regionais. A empresa assume o controle de uma infraestrutura crucial atualmente administrada pelo consórcio RIOgaleão, controlado pela francesa Vinci (51%) e pela Changi Airport, de Cingapura. A declaração de Yus, feita em coletiva de imprensa, sinaliza que a sinergia operacional entre os dois grandes hubs – um internacional no Rio e um doméstico de grande tráfego em São Paulo – é um objetivo imediato.
A estratégia de coordenação promete reconfigurar a dinâmica competitiva no setor aéreo brasileiro, criando um bloco operacional poderoso sob um único operador estrangeiro. Analistas já apontam que o grande desafio da Aena será transformar o Galeão em um ‘hub’ internacional competitivo, tarefa na qual a gestão anterior enfrentou dificuldades. A capacidade de oferecer pacotes e condições integradas entre os dois aeroportos pode pressionar outras concessionárias e companhias aéreas, enquanto a Aena busca consolidar sua influência em dois dos mercados mais importantes da América do Sul.