Min Aung Hlaing, general que liderou golpe em Mianmar, é formalmente "eleito" presidente por Parlamento militar
O general Min Aung Hlaing, o homem que comandou o golpe de estado em Mianmar em 2021, foi formalmente "eleito" presidente do país por um Parlamento controlado pelos militares. A votação, realizada após cinco anos de um governo abertamente militar, busca transformar o chefe da junta no mandatário formal de um Estado que agora se apresenta como apenas nominalmente civil. O movimento consolida a transição de um regime militar direto para uma fachada de governo civil, com o mesmo líder no comando supremo.
Min Aung Hlaing, de 69 anos, liderou a derrubada do governo democraticamente eleito de Aung San Suu Kyi, mergulhando o país em uma guerra civil devastadora. A sua "eleição" pelo órgão legislativo, composto por membros indicados pelas Forças Armadas, não representa uma mudança de poder, mas sim a institucionalização do controle militar sob um novo título. O ato encerra formalmente o período de administração direta da junta, iniciado com o golpe, e tenta projetar uma imagem de normalidade constitucional para o exterior.
A manobra ocorre em um contexto de conflito generalizado, com a resistência civil e grupos étnicos armados desafiando a autoridade da junta em vastas áreas do território. A tentativa de legitimação através de um processo eleitoral controlado visa isolar diplomaticamente a oposição e buscar reconhecimento internacional para o novo governo. No entanto, a realidade no terreno permanece de violência extrema e crise humanitária, com o poder real continuando firmemente nas mãos do establishment militar liderado por Min Aung Hlaing.