Petrobras eleva querosene de aviação em 54,8%, pressionando passagens aéreas já sob fogo da inflação
A Petrobras acionou um gatilho de pressão direta sobre o bolso do consumidor e a lucratividade das companhias aéreas. A estatal implementou um reajuste de 54,8% no preço do querosene de aviação (QAV), um insumo que, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), representa cerca de 45% dos custos operacionais totais das empresas do setor. O movimento ocorre em um momento em que as passagens aéreas já são apontadas como um dos principais vilões do índice de inflação oficial, o IPCA, tornando o cenário para o setor ainda mais complexo.
O reajuste abrupto coloca as companhias aéreas em uma encruzilhada financeira imediata. Com quase metade de sua estrutura de custos impactada de uma só vez, as empresas enfrentam uma pressão brutal para repassar parte desse aumento aos preços finais das passagens. Qualquer decisão de absorver o custo, por outro lado, significaria uma compressão severa das margens em um setor que ainda se recupera dos prejuízos históricos da pandemia. A ABEAR já sinaliza que o item é o principal componente de custo, o que deixa pouco espaço para manobras.
A alta do querosene da Petrobras não é apenas um problema setorial, mas um novo combustível para a inflação que atinge diretamente o consumidor final. O transporte aéreo é um serviço com demanda considerada relativamente inelástica para viagens essenciais e de negócios, o que pode limitar a capacidade das famílias e empresas de fugirem do repasse. O episódio joga luz sobre a sensibilidade da economia brasileira aos preços administrados pela estatal e coloca o setor de aviação civil no centro de mais uma rodada de tensão entre custos operacionais, política de preços de combustíveis e o controle da inflação.