PM Gisele: Coronel preso por feminicídio se aposenta para evitar perda de renda
Um tenente-coronel da Polícia Militar, preso sob suspeita de feminicídio, recorreu a uma manobra administrativa para proteger seus rendimentos. Geraldo Rosa Leite Neto perdeu o salário ativo da corporação após sua prisão, mas, em uma jogada estratégica, solicitou e obteve sua aposentadoria. A medida efetivamente criou um escudo financeiro, transferindo sua fonte de renda para o regime previdenciário e evitando o bloqueio total dos proventos.
O caso expõe uma brecha regulatória que permite a militares estaduais acusados de crimes graves manterem fluxo de caixa pessoal mesmo sob custódia. A aposentadoria, diferentemente do salário funcional, não está sujeita às mesmas suspensões automáticas em casos de prisão, criando um vácuo que pode ser explorado. A situação coloca sob foco os procedimentos internos da PM e a legislação que rege a suspensão de pagamentos a militares envolvidos em processos criminais.
O episódio gera pressão sobre a administração da Polícia Militar e sobre os órgãos de controle, que agora enfrentam questionamentos sobre a moralidade e a legalidade de permitir que um oficial preso por um crime tão grave continue a receber recursos públicos. A manobra, embora aparentemente dentro da letra da lei, levanta um debate urgente sobre a necessidade de fechar lacunas que descolam a responsabilidade penal das consequências financeiras para agentes do Estado.