Ministro Toffoli usou aviões de empresários para viagens ao resort Tayayá após deixar sociedade
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), realizou ao menos três viagens de Brasília ao resort Tayayá, no Paraná, utilizando aeronaves de empresários. Os voos ocorreram após ele deixar de ser sócio do empreendimento em 2025, levantando questões sobre a natureza e a transparência desses deslocamentos. Documentos oficiais analisados pelo Estadão detalham as viagens, que conectam diretamente um dos mais altos magistrados do país a figuras do setor empresarial em um contexto pessoal e de lazer.
Uma das aeronaves utilizadas pertence à Prime Aviation, empresa com participação de Daniel Vorcaro, fundador do grupo que leva seu nome. A utilização de meios de transporte de terceiros, especialmente de empresários, por um ministro do STF para viagens a um resort do qual foi recentemente sócio, coloca o episódio sob um crivo ético e de possível conflito de interesses. A proximidade temporal entre o fim da sociedade e as viagens realizadas com recursos privados amplifica o sinal de alerta.
O caso expõe Toffoli a um escrutínio público e institucional sobre os limites da conduta de um magistrado do Supremo em sua vida privada. A prática, ainda que não necessariamente ilegal, gera pressão por explicações e pode alimentar debates sobre a necessidade de maior transparência nos deslocamentos de autoridades do Judiciário. O episódio ocorre em um ambiente político e midiático sensível a qualquer aparência de privilégio ou de vínculos não declarados entre o poder judiciário e o setor empresarial.