BRB alertou sobre 'negócios heterodoxos' da Master antes de fechar compra, revelam documentos
Documentos internos obtidos pelo Metrópoles revelam que o BRB – Banco de Brasília – identificou e alertou sobre práticas de empréstimo consideradas “heterodoxas” na Master, mas mesmo assim seguiu adiante com a aquisição de ativos da empresa. A informação expõe uma decisão de investimento tomada com conhecimento prévio de potenciais anomalias, levantando questões sobre os critérios de governança e due diligence aplicados pelo banco público.
Os documentos mostram que o BRB emitiu um alerta específico sobre a forma como a Master conduzia seus negócios de crédito, classificando-os como fora dos padrões convencionais. Apesar dessa advertência interna, o banco procedeu com a compra de ativos que, conforme os mesmos papéis, estavam vinculados a “outros interesses”. A natureza exata desses interesses e a extensão dos empréstimos heterodoxos não foram detalhadas, mas a sequência de eventos coloca o processo de aquisição sob forte escrutínio.
A revelação coloca pressão sobre a administração do BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, para explicar a justificativa econômica e a análise de risco que embasaram a transação. O caso também pode atrair a atenção de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Distrito Federal e o Ministério Público, para investigar possíveis falhas na governança ou desvios de finalidade no uso de recursos públicos. A operação, agora envolta em suspeitas, transforma uma decisão financeira em um potencial caso de má gestão.