Roberto Campos Neto ignora CPI pela segunda vez, pressionando investigação sobre falhas bancárias e crime organizado
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, não compareceu pela segunda vez consecutiva à CPI do Crime Organizado, aprofundando o impasse com os parlamentares e intensificando a pressão política sobre a autoridade monetária. A ausência, marcada para esta quarta-feira, segue a primeira convocação ignorada em 3 de março, criando um cenário de confronto direto entre o Congresso e a mais alta instância do sistema financeiro nacional. A recusa em prestar depoimento transforma Campos Neto em um foco central de resistência à investigação, que busca justamente entender o papel das instituições financeiras na expansão das facções criminosas.
A CPI investiga possíveis falhas na fiscalização bancária que possam ter facilitado a lavagem de dinheiro e o financiamento do crime organizado. A insistência dos parlamentares em ouvir o presidente do BC sinaliza que a comissão mira o coração do sistema de controle financeiro, indo além de operações policiais pontuais. A repetida ausência de Campos Neto, sem justificativa formal amplamente divulgada, não apenas atrasa o andamento dos trabalhos, mas também alimenta suspeitas e questionamentos públicos sobre a transparência do Banco Central em um tema de alta sensibilidade.
O impasse coloca o BC sob um escrutínio político sem precedentes recentes, com risco de desgaste institucional. A CPI, que tem poderes de investigação amplos, pode escalar a pressão, emitindo novo convite ou mesmo um mandado de condução coercitiva, o que representaria um choque institucional grave. A situação expõe a tensão latente entre a autonomia técnica do banco e a demanda por prestação de contas ao Legislativo, especialmente em um tema que envolve segurança pública e a integridade do sistema financeiro. O próximo movimento de ambas as partes definirá o tom desta investigação crítica.