Planalto irritado com Galípolo por não apontar culpa de Campos Neto na CPI do Master
A cúpula do governo Lula está irritada nos bastidores com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O motivo: durante seu depoimento à CPI do Crime Organizado, Galípolo não atribuiu responsabilidade ao seu antecessor, Roberto Campos Neto, pelo escândalo do Banco Master. A ida de Galípolo à comissão foi previamente debatida pelo próprio presidente Lula com seus auxiliares, e a avaliação interna era clara: valeria a pena o depoimento se ele falasse sobre Campos Neto. A omissão de Galípolo frustrou essa expectativa estratégica do Planalto e do PT, que têm propagado a narrativa de que o caso Master é fruto da inação do ex-presidente do BC nomeado pelo governo anterior.
O episódio expõe uma tensão política direta no coração da autoridade monetária. Enquanto o governo busca usar a CPI para pressionar a gestão anterior do BC, Galípolo, em seu primeiro grande teste político, optou por um depoimento que não endossou publicamente essa linha de ataque. A ausência de Campos Neto, que faltou pela terceira vez à convocação da CPI – desta vez por requerimento do relator senador Alessandro Vieira –, só aumenta a pressão sobre a figura do atual presidente para que atue como um canal de crítica.
A situação coloca Galípolo em um campo minado, sob pressão dupla: de um lado, a expectativa política do Planalto e de sua base; de outro, a necessidade de preservar a independência técnica e a credibilidade institucional do Banco Central. O caso Master, portanto, tornou-se não apenas uma investigação sobre supostas falhas regulatórias, mas um teste de fogo para os limites da atuação política do atual comando do BC e um reflexo da batalha narrativa em torno da gestão da economia nos governos Bolsonaro e Lula.