Trégua Irã-EUA: Mercados em alerta máximo com petróleo volátil e risco geopolítico latente
A trégua de duas semanas entre EUA e Irã desencadeou uma reversão violenta nos mercados, mas não convenceu os principais bancos e casas de análise de que o risco geopolítico foi superado. Especialistas globais e brasileiros veem o cessar-fogo como uma condição necessária, mas longe de suficiente para justificar reposicionamentos agressivos de portfólio. A incerteza permanece no ar, mantendo investidores em estado de alerta.
A reação do mercado na quinta-feira (9) confirmou a fragilidade do cenário. O petróleo Brent, que havia despencado 13% para US$ 94,6 por barril, voltou a subir 2,9% após o Irã acusar os EUA de violar cláusulas do acordo. A movimentação no Estreito de Ormuz, gargalo crítico para o fluxo global de petróleo, permanece anêmica: apenas quatro navios atravessaram no primeiro dia da trégua, contra centenas no período pré-guerra. Cerca de 187 petroleiros, carregando 172 milhões de barris, seguem retidos dentro do Golfo Pérsico, um sinal claro de que a tensão logística e operacional persiste.
Diante desse quadro, a recomendação que atravessa as principais instituições financeiras é de extrema cautela. A síntese do CIO do UBS, Mark Haefele, reflete o consenso: os investidores devem priorizar a proteção de capital e evitar movimentos bruscos. A volatilidade do petróleo e a dependência do fluxo pelo Ormuz mantêm a pressão sobre ativos de risco e renda fixa global. Enquanto as acusações de violação do acordo continuarem e o tráfego marítimo não se normalizar, qualquer otimismo nos mercados será prematuro e sujeito a reversões imediatas.