Ex-presidente do BC Gustavo Loyola recebeu R$ 5,1 milhões do Master enquanto defendia sua compra pelo BRB
O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola recebeu R$ 5,1 milhões do Master, o banco de Daniel Vorcaro, em um contrato de consultoria. O pagamento ocorreu no mesmo período em que Loyola concedeu entrevistas públicas defendendo a aquisição do Master pelo BRB, o banco público do Distrito Federal. A defesa pública de uma transação envolvendo uma instituição financeira pública, feita por um ex-chefe da autoridade monetária que era pago por uma das partes, levanta sérias questões sobre conflito de interesses e a influência de lobbies privados sobre decisões de mercado.
A reportagem do Metrópoles revela que Loyola foi contratado pelo Master em 2022, ano em que a negociação com o BRB estava em curso. Em entrevista ao jornal O Globo em agosto daquele ano, ele argumentou que a compra seria positiva para o sistema financeiro, sem declarar seu vínculo remunerado com o banco vendedor. A omissão desse conflito em sua atuação pública como ex-autoridade coloca sob escrutínio a ética de sua intervenção e a transparência do processo de venda.
O caso expõe uma zona cinzenta na regulação do lobby e da consultoria pós-cargo para ex-altas autoridades. A situação pressiona tanto o BRB, que precisa justificar a lisura de sua avaliação, quanto o próprio Banco Central, cujos ex-presidentes mantêm influência significativa. O episódio serve como um alerta sobre os riscos de captura regulatória e a necessidade de maior clareza nos vínculos de especialistas que opinam sobre operações de mercado sensíveis.