Irã ameaça manter Estreito de Ormuz fechado até que EUA e Israel parem ataques no Líbano
O Irã elevou a tensão no Golfo Pérsico ao condicionar a reabertura do vital Estreito de Ormuz ao fim dos ataques militares dos Estados Unidos no Oriente Médio e à interrupção dos bombardeios israelenses no Líbano. A declaração, feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores Saeed Khatibzadeh à BBC, transforma a rota marítima mais crítica do mundo para o petróleo em uma peça de barganha geopolítica, explorando a fragilidade do cessar-fogo anunciado na região.
Khatibzadeh afirmou que Teerã permitirá a passagem de navios "conforme normas internacionais" apenas após essas condições serem atendidas, justificando o fechamento como resposta a uma "grave violação intencional" da trégua por Israel. A mensagem, segundo ele, foi transmitida "de forma clara" a Washington. O vice-chanceler reiterou que o Irã garantiria a segurança da navegação, mas vinculou essa garantia diretamente à retirada das ações militares americanas, criando um impasse explícito.
A medida coloca pressão imediata sobre as rotas globais de energia e o comércio marítimo, com dados mostrando que apenas quatro navios transitaram pelo estreito na quarta-feira. O bloqueio efetivo, mesmo que temporário, representa um risco agudo de disrupção no fornecimento de petróleo, aumentando a pressão diplomática sobre Washington e seus aliados. A situação expõe a vulnerabilidade do corredor de Hormuz a retaliações estatais e transforma um conflito regional em uma crise com potencial de repercussões econômicas globais.