Guerra no Irã inflama preços ao produtor da China, que sobem pela 1ª vez em 3 anos
A guerra no Irã está começando a transmitir pressões de custo para a segunda maior economia do mundo. Pela primeira vez em mais de três anos, os preços ao produtor da China subiram em março, encerrando uma sequência de 41 meses de deflação. O aumento de 0,5% na comparação anual, divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas, superou ligeiramente as expectativas do mercado e sinaliza uma mudança de cenário perigosa para Pequim.
Economistas alertam que o risco agora é de uma inflação impulsionada por custos mais altos, e não por uma demanda doméstica mais forte. Esse cenário pode comprimir as margens das empresas, prejudicar o crescimento e reduzir o espaço para estímulos, justamente quando a economia chinesa já se mostra frágil. O longo período de queda nos preços, impulsionado por cortes agressivos das empresas em um fenômeno chamado localmente de 'involução', parece ter chegado ao fim.
A inflação importada, como destacou o economista Xing Zhaopeng, não é favorável à economia. O dado coloca o governo chinês em uma posição delicada, forçando-o a navegar entre o combate às pressões de custo externas e a necessidade de sustentar uma recuperação econômica ainda incerta. O aumento, ainda que modesto, representa um primeiro sinal concreto de como conflitos geopolíticos distantes podem rapidamente se transformar em pressões inflacionárias domésticas, limitando as opções de política econômica.