Itaú cria 'modelo alternativo' para conter fuga de talentos e segurar gestores de elite
O Itaú Unibanco está implementando uma estrutura inédita para enfrentar um dos maiores desafios do mercado financeiro brasileiro: a fuga crônica de seus melhores gestores de recursos para abrir seus próprios negócios. O banco criou um modelo alternativo que oferece aos profissionais de elite autonomia quase total para gerir carteiras, mas dentro do guarda-chuva institucional do Itaú. A estratégia visa eliminar a principal motivação para a saída – a burocracia e os custos de infraestrutura – enquanto retém o talento e o conhecimento dentro da organização.
No modelo, o banco entra com toda a estrutura operacional: tecnologia de ponta, canais de venda consolidados, a marca Itaú e o suporte administrativo. O gestor, por sua vez, contribui exclusivamente com seu conhecimento e expertise, focando no que faz de melhor: a seleção de investimentos e a busca por performance. Todas as regras do jogo são definidas de forma contratual e transparente desde o início, incluindo a remuneração, a divisão de custos e até os termos para uma eventual saída, eliminando ambiguidades.
A iniciativa do maior banco privado do país sinaliza uma pressão intensa no setor para reter capital humano de alto valor, especialmente na disputa por clientes de alta renda. Se bem-sucedido, o modelo pode estabelecer um novo padrão competitivo, forçando outros grandes players a repensarem suas estruturas de carreira e remuneração para evitar um êxodo em massa de seus gestores mais lucrativos para o ecossistema de gestoras independentes.