Justiça impõe vínculo CLT à 99: motorista de app tem direito a férias, 13º e FGTS
Um motorista de aplicativo venceu uma batalha judicial que pode redefinir as regras do jogo para a gig economy no Brasil. A Justiça do Trabalho determinou que a 99, empresa de tecnologia de mobilidade, reconheça um vínculo empregatício com o condutor, descaracterizando a relação como mero trabalho autônomo. A decisão, ainda sujeita a recurso, obriga a plataforma a pagar direitos trabalhistas plenos da CLT.
A sentença condena a 99 a arcar com verbas rescisórias como aviso prévio, 13º salário, férias remuneradas e depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), acrescidos da multa de 40% sobre o fundo. O caso joga luz sobre a pressão crescente do Judiciário sobre o modelo de negócios das plataformas de entrega e transporte, que tradicionalmente classificam seus prestadores de serviço como parceiros, não empregados.
A decisão judicial representa um precedente significativo que aumenta o risco regulatório e financeiro para a 99 e todo o setor. Se confirmada em instâncias superiores, pode abrir caminho para uma enxurrada de ações trabalhistas semelhantes, pressionando a rentabilidade do modelo e forçando uma revisão estrutural das relações de trabalho na economia de plataformas. O caso coloca a empresa sob escrutínio e sinaliza uma tendência de maior rigor na aplicação da legislação trabalhista ao universo digital.