Guerra no Irã dobra frete e corta exportação de carne brasileira para o Oriente Médio
O custo para enviar carne do Brasil para o Oriente Médio mais que dobrou em um mês, atingindo até US$ 7.000 por contêiner, em um impacto direto da guerra no Irã sobre a logística global. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que o frete marítimo refrigerado saltou de cerca de US$ 2.800 para o novo patamar, pressionando imediatamente a competitividade do setor. O aumento reflete a alta dependência do comércio marítimo e as restrições em rotas críticas como o Estreito de Ormuz, onde interrupções e redirecionamentos de carga ampliam os riscos operacionais.
Além do custo logístico, o conflito já reduziu fisicamente as vendas. Em março, as exportações de carne bovina brasileira para o Oriente Médio caíram para 18.220 toneladas, uma queda de 20,5% em relação às 22.919 toneladas de fevereiro. Em valor, o recuo foi de 15,9%, com os embarques caindo de US$ 137,5 milhões para US$ 115,6 milhões no período. A pressão é dupla: custos de transporte explodem enquanto o volume e a receita das vendas encolhem.
O episódio expõe a vulnerabilidade do complexo exportador de proteínas brasileiro a choques geopolíticos em rotas marítimas estratégicas. O setor, um dos pilares da balança comercial do país, agora enfrenta um cenário de margens comprimidas e incerteza logística. A continuidade das tensões no Oriente Médio mantém o risco de novos aumentos de frete e de interrupções no fluxo comercial, podendo forçar realocações de carga e reavaliações de contratos de longo prazo pelos exportadores.