CEO do Duolingo, Luis von Ahn, usa tratamento ao motorista de táxi como critério final de contratação
No Duolingo, a entrevista de emprego começa muito antes da sala de reuniões. Luis von Ahn, cofundador bilionário e CEO do aplicativo, revelou que o comportamento de um candidato durante o trajeto do aeroporto — especificamente, como ele trata o motorista do táxi — pode ser o fator decisivo para uma contratação. Essa avaliação informal, conduzida pelo próprio motorista designado pela empresa, tem peso suficiente para anular um currículo impressionante e uma boa performance nas entrevistas formais.
O método foi testado durante uma busca por um diretor financeiro que durou cerca de um ano. Von Ahn detalhou no podcast The Burnouts que, apesar de o candidato ter um perfil forte e ter agradado a todo o comitê de contratação, ele foi "bastante grosseiro" com o motorista no caminho para o escritório. Esse único episódio, relatado pelo motorista à equipe, foi suficiente para descartar o profissional. A prática coloca um foco intenso no caráter e na empatia, valores que a liderança do Duolingo prioriza acima da expertise técnica isolada.
A revelação expõe uma camada oculta do processo seletivo na empresa de tecnologia, onde a avaliação de soft skills acontece em um cenário não monitorado e de poder desigual. O critério estabelece um precedente que pode gerar debates sobre a objetividade em recrutamentos de alto nível e sobre como empresas mensuram a cultura organizacional. Para candidatos a posições executivas no Duolingo, a lição é clara: a entrevista real pode estar ocorrendo no banco de trás de um carro, longe dos olhos dos gestores diretos.