Milton Leite ameaça deixar União Brasil se não assumir comando da federação com PP em SP
O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), lançou um ultimato sobre o comando da federação partidária com o Progressistas (PP) no estado. Em declaração direta, ele afirmou que não vê outra possibilidade a não ser assumir a liderança da nova agremiação e que, caso contrário, irá embora. A ameaça expõe o racha iminente na principal base de apoio do governo no Congresso, apenas semanas após a fusão ter sido homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O cerne do conflito é a disputa pelo controle em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Milton Leite, principal liderança paulista do União, rejeita categoricamente a possibilidade de ser comandado pelo deputado Maurício Neves (PP-SP). Para justificar sua posição, Leite usou uma analogia empresarial contundente: "Imagina o seguinte: você tem uma empresa com 80% das ações no estado de São Paulo, e eles têm 20%. Você aceita ser comandado por 20%? Não, né? Então não há possibilidade de nós sermos comandados pelo senhor Maurício Neves, um acionista minoritário".
A homologação da federação no fim de março não resolveu a questão do comando estadual, que permanece como um ponto de tensão crítica. A recusa de Leite em ceder espaço ao PP coloca em risco a estabilidade da nova aliança e sinaliza que as negociações estão longe de um consenso. O impasse em São Paulo serve como um microcosmo dos desafios de poder que a fusão nacional enfrenta, podendo influenciar disputas semelhantes em outros estados e afetar a coesão da bancada governista.