Ministro Guimarães, novo chefe da SRI, pede adiamento do PL dos Apps por 'falta de consumo' na Câmara
O primeiro ato público do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Alexandre Guimarães, foi um pedido formal para frear a votação do polêmico Projeto de Lei dos Aplicativos na Câmara dos Deputados. Em comunicado enviado à Casa antes mesmo de sua posse oficial, Guimarães solicitou o adiamento da apreciação do PL, justificando uma "falta de consenso" em torno da matéria. O movimento sinaliza uma mudança imediata de tática na articulação do governo no Congresso, colocando um freio de emergência em uma pauta considerada prioritária e de alto impacto econômico.
A intervenção direta do futuro chefe da SRI, pasta responsável pela ponte entre o Planalto e o Legislativo, expõe as fissuras e a falta de base de apoio consolidada para o texto em discussão. O PL dos Apps, que regulamenta as relações de trabalho em plataformas digitais como Uber e iFood, é alvo de intenso lobby de diferentes setores e divide opiniões dentro da própria base governista. O pedido de adiamento não é um mero protocolo; é um reconhecimento oficial de que o governo não tem os votos necessários para aprovar a proposta em sua forma atual, evitando uma derrota política logo no início da nova gestão.
A manobra coloca a bola no campo da Câmara, que agora precisa decidir se acata o pedido do futuro ministro e paralisa a tramitação, ou se mantém a pauta em movimento, forçando um embate prematuro. O episódio também lança um primeiro teste sobre o estilo e a eficácia de Guimarães na condução das relações institucionais. A capacidade de construir o tal "consenso" que ele alega faltar será o principal termômetro para medir sua influência e o sucesso da articulação do governo em um Congresso fragmentado. A pressão das empresas de tecnologia, dos sindicatos e dos próprios trabalhadores por uma solução permanece, agora sob o risco de um impasse prolongado.