Bancos reduzem crédito ao agronegócio; Fiagros e FIDCs ganham espaço no mercado
O aumento da inadimplência no agronegócio forçou os principais bancos do setor, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, a apertar a torneira do crédito em 2025. Com o financiamento tradicional encolhendo, empresas do agro estão sendo empurradas para o mercado de capitais, onde buscam recursos muitas vezes a taxas mais altas. Esse vácuo criado pelos bancos está abrindo uma janela de oportunidade para estruturas de financiamento alternativas, como os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) e os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) do agronegócio.
O ápice da crise de crédito ocorreu no final de 2024, marcado por pedidos de recuperação judicial de grandes players como a AgroGalaxy e a cooperativa Languiru. Esse choque, conforme analistas, serviu como um alerta severo para o mercado. No entanto, gestores como José Daronco, da Suno Asset, observam que, desde então, a situação para os Fiagros começou a se estabilizar. Um fator que tem dado mais segurança a esses fundos é a adoção de estruturas robustas de garantia, que ajudam a mitigar os riscos associados ao setor.
O movimento sinaliza uma reconfiguração no fluxo de capital para um dos pilares da economia brasileira. Enquanto os bancos tradicionais, pressionados por carteiras problemáticas, recuam, o mercado de capitais e os fundos especializados são chamados a preencher a lacuna. Essa transição, porém, não é isenta de custos ou riscos. As empresas agropecuárias agora enfrentam um cenário de crédito mais caro e seletivo, dependendo cada vez mais da capacidade de atração de investidores por meio de veículos estruturados. A saúde financeira do setor, portanto, passa a depender mais da performance e da confiança nesses novos instrumentos do que nas linhas tradicionais de bancos públicos.