XP: Pacote do governo limita liberdade de preços da Petrobras, mas cenário segue favorável
O pacote de medidas do governo federal para conter o repasse da alta do petróleo aos combustíveis criou uma nova dinâmica para o setor, reduzindo a liberdade de preços da Petrobras no mercado interno. A análise da XP Research aponta que, embora o cenário de petróleo elevado seja positivo para a geração de caixa da estatal, as intervenções limitam seu potencial de lucro direto com a disparada internacional.
Desde o início das tensões entre EUA e Irã, o governo anunciou ao menos nove iniciativas para amortecer o impacto nos preços. O pacote inclui subsídios diretos ao diesel para refinarias e importadores, cortes de PIS/Cofins, auxílio ao GLP, redução de impostos sobre querosene de aviação e a criação de uma tarifa de 12% sobre exportações de petróleo bruto. Uma medida-chave foi a instituição de uma taxa de 50% sobre exportações de diesel, que, na prática, inviabiliza esse fluxo de vendas para o exterior.
Na avaliação da XP, o efeito agregado dessas medidas cria um cenário de pressão regulatória e intervenção direta, sinalizando um ambiente de negócios mais controlado para a Petrobras e toda a cadeia de óleo e gás. A estatal opera em um paradoxo: os preços recordes do Brent no mercado global impulsionam sua receita potencial, mas a política de preços domésticos e as barreiras à exportação de derivados limitam a captura integral desse benefício. O setor fica sob o risco de uma rentabilidade abaixo do potencial de mercado, dependente da continuidade ou não dos subsídios governamentais.