Faillite de Polytechnyl : la stratégie de BASF pour éliminer son seul concurrent européen dans les polyamides
Polytechnyl, único fabricante europeu de poliamidas de engenharia, colapsou sob pressão contínua. A BASF, gigante químico alemã, exerceu pressão sistemática sobre a empresa durante seis anos para garantir seu domínio no mercado, revelam documentos internos e fontes próximas ao dossier. A investigação mostra que o grupo alemão controlou cada etapa crítica do processo competitivo: desde a seleção do potencial repreneur até à imposição de custos de fornecimento insustentáveis, passando pela recusa de transferências tecnológicas essenciais. A empresa acabou por sucumbir, deixando a BASF como fornecedor quase exclusivo num mercado estratégico.
As manobras tornaram-se possíveis através de um conjunto coordenado de decisões que, vistas em conjunto, configuram uma estratégia de eliminação concorrencial. Quando um potencial comprador surgiu para adquirir a Polytechnyl, a BASF terá influenciado diretamente na escolha do candidato mais favorável aos seus interesses. Simultaneamente, os custos de fornecimento de matérias-primas foram progressivamente aumentados, tornando a produção economicamente inviável. A recusa de partilhar know-how tecnológico crucial complementou o estrangulamento financeiro, deixando a Polytechnyl sem ferramentas para competir.
O que levanta questões sérias sobre o papel da Comissão Europeia neste processo. A investigação sugere que o regulador terá validado ou pelo menos não impediu arranjos que consolidaram uma posição monopolista. O caso alimenta o debate sobre a efetividade dos mecanismos europeus de controlo da concorrência e sobre a fragilidade das empresas face a gigantes industriais com recursos para condicionar mercados inteiros. A Polytechnyl não foi apenas uma vítima colateral da competitividade global — foi, segundo as evidências disponíveis, o alvo deliberado de uma operação calculada para remover qualquer concorrência no setor dos poliamidas.