Doleiro preso pela PF revelacheme no Deic: 'A gente só deposita' nas mensagens sobre operação Bazaar
Um doleiro preso pela Polícia Federal revelou, em conversas interceptadas, como funcionava a dinâmica de corrupção na Divisão de Investigações sobre Entorpecentes e Criminosidade (Deic) da Polícia Civil de São Paulo. Segundo mensagens citadas pelos promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP) na denúncia da operação Bazaar, o investigado tratava a unidade policial como um "banco": "A gente só deposita", escreveu em um dos diálogos. A expressão sintetiza o esquema montado para extorquir dinheiro de suspeitos de crimes, especialmente relacionados ao tráfico de drogas.
A operação Bazaar mirou um grupo que, conforme a denúncia, cobrava valores para "segurar" inquéritos e evitar prisões. O doleiro, cujo nome não foi totalmente disclosed nas peças do MPSP, atuava como intermediário entre criminosos e investigadores. As conversas mostrariam transferências financeiras coordenadas e instruções claras sobre quem deveria ser "protegido" dentro das investigações. Os promotores apontam que a estrutura envolvia pelo menos três delegados e múltiplos investigadores lotados na Deic, formando uma organização paralela dentro da própria instituição.
O caso gera pressão sobre a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e levanta questões sobre mecanismos de controle interno. AControladoria Geral do Estadodeeberia conduzir auditoria nas práticas da unidade, que Concentra investigações de inúmeroscriminosidadecorreligionária. Além do risco de anulação de processos Baseados em provas contaminadas pela investigação paralela, há pressão por uma reestruturação profunda no setor de inteligência da Polícia Civil. O MPSP pediu o bloqueio de bens dos investigados e a exoneração sumária dos servidores envolvidos, medida que ainda depende de decisão judicial.