MPF pede paralisação de trecho da Ferrovia Carajás da Vale por falta de licença e consulta indígena
O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal para suspender imediatamente o uso do novo trecho da Estrada de Ferro Carajás (EFC) que corta a terra indígena Mãe Maria, no sudeste do Pará. Segundo o órgão, a Vale estaria operando a segunda linha da ferrovia sem a devida licença ambiental e sem realizar consulta prévia às comunidades indígenas afetadas, como determina a legislação brasileira. Na ação, o MPF afirma que o Ibama emitiu, em novembro de 2025, um parecer técnico apontando pendências ambientais que impediam a concessão da licença operacional. O órgão também pede pagamento de indenização por danos morais coletivos. A EFC é um dos ativos de logística mais estratégicos da mineradora. Com 892 quilômetros de extensão, ela é a única rota de transporte do minério de ferro produzido no Sistema Norte até o terminal portuário de Ponta da Madeira, no Maranhão. O trecho contestado pelo MPF atravessa 18 km da terra indígena Mãe Maria. Em análise, o Morgan Stanley avalia que ainda não é possível mensurar o impacto potencial da ação. Isso depende de dois fatores: se a Justiça acatará o pedido e, caso positivo, se a suspensão abrangerá apenas a linha adicional — como requer o MPF — ou todo o corredor ferroviário.