Governo Lula debate limite para juros do rotativo do cartão para conter desgaste eleitoral
O governo Lula está em discussões internas para impor um limite regulatório aos juros do crédito rotativo do cartão, uma medida direcionada a reduzir o custo do crédito para a população. A iniciativa, revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, surge da avaliação da cúpula do Executivo de que o endividamento das famílias se tornou uma das principais fontes de desgaste da imagem do governo em um ano eleitoral crucial. A pressão política para uma ação concreta é alta, com ministros como Sidônio Palmeira (Comunicação) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) defendendo abertamente a fixação de um novo teto para as cobranças.
A movimentação ocorre em um momento de fragilidade política para o presidente. Pesquisas recentes, como a do PoderData, apontam que a desaprovação de Lula atingiu 61%, seis meses antes das eleições. Enquanto o presidente busca um quarto mandato, a percepção de desgaste se intensifica, tornando o tema do endividamento um ponto sensível que pode influenciar o eleitorado. A discussão sobre o rotativo não é apenas técnica, mas um cálculo político para recuperar apoio popular.
A regulação do crédito rotativo, se implementada, representaria uma intervenção direta do governo no mercado financeiro e nas práticas dos bancos e administradoras de cartão. O setor financeiro, tradicionalmente resistente a controles de juros, deve enfrentar pressão significativa. A medida, ainda em fase de debate, sinaliza uma tentativa do Palácio do Planalto de transformar uma dor de bolso do eleitor em uma bandeira de governo, arriscando um confronto com poderosos interesses econômicos em troca de capital político.