Conflito no Irã fecha rotas do Golfo e dispara preços de voos Ásia-Europa; passageiros presos
Dezenas de milhares de passageiros estão presos em aeroportos e hotéis, semanas após o início do conflito com o Irã. O fechamento de rotas aéreas críticas sobre o Golfo desencadeou cancelamentos em massa nos principais hubs da região, sobrecarregando as companhias aéreas e deixando viajantes em uma corrida desesperada para encontrar rotas alternativas de volta para casa. A crise logística já resultou no cancelamento de mais de 50 mil voos, criando um gargalo sem precedentes no tráfego aéreo entre a Ásia e a Europa.
A experiência do fotógrafo aposentado Bernard Kuhn e de sua esposa ilustra o colapso operacional. Com seu voo da Qatar Airways para Londres cancelado, o casal ficou retido no Sri Lanka. Após dias de tentativas frustradas de contato com a companhia aérea — ligações que caíam e nenhum retorno —, eles desistiram. A solução foi um desvio caríssimo: voar para Bangcoc, esperar dez dias e comprar novas passagens por 5.000 libras (cerca de R$ 35.000), um custo que os obrigou a cancelar as férias do ano seguinte. "As companhias aéreas estão sobrecarregadas e não se comunicam, então você fica completamente às cegas", relatou Kuhn.
A pressão sobre as rotas remanescentes fez os preços das passagens aéreas entre a Ásia e a Europa dispararem. Companhias como a Qatar Airways e outras que dependem dos corredores aéreos do Golfo Pérsico enfrentam uma crise operacional dupla: realocar passageiros presos e remapear redes de voo inteiras sob uma pressão geopolítica imediata. A interrupção prolongada nessas rotas estratégicas expõe a fragilidade da conectividade aérea global quando um ponto de estrangulamento geopolítico é fechado, com impactos diretos no bolso e nos planos de viajantes em todo o mundo.