Guerra no Oriente Médio eleva projeções de inflação e Selic para 2026 no Brasil
O choque do petróleo, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, já força revisões nas projeções econômicas para o Brasil em 2026. Bancos como XP e Inter elevam suas estimativas de inflação e sinalizam cortes menores na taxa Selic, indicando que os efeitos do conflito geopolítico começam a se materializar no horizonte de política monetária.
A XP revisou sua projeção para a inflação de 2026 de 3,8% para 4,5%, conforme análise dos economistas Alexandre Maluf e Vinicius Meggiolaro. O ajuste veio logo após a divulgação do IPCA-15 de março, que registrou alta de 0,44%, acima do consenso do mercado. Paralelamente, o Banco Inter, através de sua economista-chefe Rafaela Vitória, elevou sua estimativa para 2026 de 3,8% para 4,3%, mantendo a projeção para 2027 em 3,4%.
As revisões refletem uma pressão inflacionária mais persistente do que o previsto, com impacto direto nas expectativas para os juros. O cenário aponta para um ciclo de cortes da Selic mais contido em 2026, à medida que o Banco Central busca ancorar as expectativas diante de um choque de commodities com origem externa. A persistência do conflito mantém o risco de novas pressões sobre os preços, colocando a política monetária sob maior escrutínio.