Delegado Carlos Henrique Cotait, acusado de hackear alvos, reassume comando de departamento em SP
Um delegado da Polícia Civil de São Paulo, acusado de usar métodos ilegais para obter provas, retornou ao comando de um departamento de elite enquanto é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF). Carlos Henrique Cotait, que chefiava a Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária (Decor), foi realocado para a chefia da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) em meio a uma apuração sobre supostos crimes cibernéticos.
O MPF investiga se Cotait, com a ajuda do hacker Patrick Brito, invadiu dispositivos eletrônicos de investigados sem autorização judicial. A prática, se confirmada, violaria a legislação e contaminaria provas. Patrick Brito, figura central no caso, está em negociação para um acordo de delação premiada com a Procuradoria, o que pode ampliar o escopo das investigações e expor detalhes da operação.
A movimentação de Cotait para um novo posto de comando, durante uma investigação federal em curso, levanta questões sobre os processos internos da Polícia Civil e a gestão de riscos institucionais. O caso coloca sob escrutínio os limites dos métodos investigativos e a possibilidade de responsabilização de agentes públicos por supostos abusos. A delação em negociação representa um ponto de pressão crítico, com potencial para afetar a credibilidade da corporação e de investigações anteriores que possam ter utilizado evidências obtidas de forma irregular.