Renner e C&A despencam após rumor de fim da 'taxa das blusinhas'
As ações das gigantes do varejo de vestuário Lojas Renner e C&A despencaram mais de 4% nesta segunda-feira, liderando as maiores baixas do Ibovespa. A queda acentuada foi uma reação direta do mercado a um rumor publicado pelo jornal O Globo: o governo Lula estaria discutindo internamente a remoção do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50, a chamada 'taxa das blusinhas'. A notícia gerou uma fuga imediata de capitais dessas empresas, enquanto a concorrente Riachuelo, por outro lado, seguiu na contramão e fechou o dia em alta.
O motivo por trás da possível reviravolta fiscal é político. Segundo a reportagem, a queda na popularidade do governo teria motivado as discussões, com pesquisas internas apontando a introdução do tributo em 2023 como um ponto crítico relevante para a insatisfação popular. A medida é vista como uma tentativa de aliviar a pressão do custo de vida, um tema sensível para a administração. A reação negativa do mercado, no entanto, já começou a se materializar.
A análise do JPMorgan corrobora o temor dos investidores: a eventual remoção do imposto transfronteiriço é vista como um fator negativo para as varejistas de vestuário domésticas, como Renner e C&A. A isenção aumentaria a competitividade direta das plataformas de e-commerce internacionais, como Shein e Shopee, que operam com preços mais baixos e sem a carga tributária. O episódio expõe a vulnerabilidade do setor a mudanças na política comercial e a como decisões de popularidade no Planalto podem rapidamente se traduzir em volatilidade na Bolsa.