Lula ordena estudo para impor limite aos juros do rotativo do cartão de crédito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda a elaboração de um estudo para criar alternativas que reduzam os encargos do crédito rotativo. A ordem, revelada pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, coloca o governo em rota de colisão direta com as práticas do sistema financeiro, sinalizando uma intervenção regulatória de alto impacto no mercado de crédito ao consumidor.
A medida visa especificamente o crédito rotativo do cartão, modalidade conhecida por cobrar as taxas de juros mais altas do mercado, frequentemente superiores a 400% ao ano. A determinação presidencial transfere a pressão política para as mãos do presidente do BC, Roberto Campos Neto, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que agora precisam estruturar uma proposta técnica que atenda ao mandato do Planalto sem desestabilizar o sistema. O movimento representa uma escalada na retórica do governo contra o que classifica como 'juros abusivos'.
A iniciativa amplifica o conflito institucional entre o Executivo e a autoridade monetária, que defende a autonomia na condução da política de juros. A pressão por um teto regulatório para o rotativo pode forçar uma reavaliação completa do modelo de negócios dos emissores de cartão e instituições financeiras, com potenciais efeitos sobre a rentabilidade do setor e a oferta de crédito. O estudo solicitado por Lula é o primeiro passo concreto de uma ofensiva que pode redefinir as regras do crédito ao consumidor no Brasil, colocando bancos e administradoras sob intenso escrutínio político e regulatório.