Bolsa de Xangai despenca 6,5% em março, pior mês em mais de dois anos
A Bolsa de Xangai registrou sua pior queda mensal desde janeiro de 2022, com o principal índice recuando 6,5% em março. O desempenho negativo ocorreu mesmo com a divulgação de dados industriais positivos, sinalizando que o otimismo com a economia real não foi suficiente para conter a aversão ao risco dos investidores. O índice Hang Seng de Hong Kong também teve seu pior mês desde janeiro de 2024, com queda de 6,9%, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, recuou quase 1% no último pregão.
A cautela do mercado persiste apesar de um sinal de recuperação do setor industrial. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) oficial da China subiu para 50,4 em março, superando a linha de expansão de 50 e atingindo seu nível mais alto em 12 meses. No entanto, esse dado positivo foi ofuscado pela tensão geopolítica, com investidores priorizando a incerteza gerada pelo conflito no Oriente Médio sobre os indicadores econômicos domésticos.
A divergência entre os fundamentos econômicos e o sentimento do mercado coloca pressão sobre as autoridades regulatórias e financeiras chinesas. O fraco desempenho das bolsas de Xangai e Shenzhen, em contraste com a leve alta do Hang Seng no dia, evidencia a volatilidade e a sensibilidade do capital a riscos externos. O cenário levanta questões sobre a capacidade de estímulos setoriais e dados positivos isolados de sustentar uma recuperação duradoura do mercado de capitais chinês em um ambiente global instável.