Banco Central do Brasil reduz peso do dólar nas reservas e reforça ouro e moedas asiáticas
O Banco Central do Brasil está reduzindo sistematicamente a dependência do dólar americano em suas reservas internacionais, um movimento estratégico que ganhou força em 2025. Dados do Relatório Anual de Reservas Internacionais mostram que a participação da moeda norte-americana caiu de 80,42% em 2022 para 78,45% em 2024, e chegou a 72% ao final de 2025. Apesar de ainda ser a moeda dominante, a trajetória de queda é clara e acelerada.
O BC atribui a diversificação da carteira ao aumento das incertezas econômicas e geopolíticas globais. Em resposta, a autoridade monetária tem reforçado as posições em ouro e em moedas de economias asiáticas, buscando maior segurança e redução de risco. O relatório, publicado nesta terça-feira (31), detalha essa reconfiguração gradual, que representa uma mudança significativa na estratégia de gestão das reservas do país.
A decisão sinaliza uma pressão contínua sobre a hegemonia do dólar no sistema financeiro internacional e reflete uma tendência mais ampla entre grandes detentores de reservas de buscar alternativas. O movimento do BC brasileiro, um dos maiores do mundo em volume, coloca-o na vanguarda de uma realocação estratégica de ativos, aumentando a exposição a ativos considerados refúgio e a moedas de economias em crescimento. A estratégia visa mitigar riscos em um cenário global volátil, mas também reforça a posição geoeconômica do Brasil em um sistema multipolar.