ANP investiga leilões de GLP da Petrobras por suspeita de preços abusivos; gerente é afastado
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) abriu uma fiscalização de emergência sobre os leilões de gás de cozinha (GLP) da Petrobras, após fortes indícios de que os preços praticados estariam inflacionados e acima dos valores de referência internacionais. A ação regulatória foi deflagrada após a própria presidência da estatal, sob pressão do Palácio do Planalto, anunciar a anulação do certame realizado em 31 de março, que gerou reação interna e questionamentos sobre a conduta comercial.
A investigação da ANP se concentra nos ágios elevados registrados nos leilões, que possivelmente superaram os Preços de Paridade de Importação (PPI), parâmetro crucial para o mercado. O episódio já provocou uma primeira mudança na cúpula operacional: Magda Chambriard, presidente da Petrobras, determinou o afastamento do gerente da área de comercialização responsável pela condução do leilão. Fontes indicam que o executivo teria realizado o certame 'contra o direcionamento da diretoria', sugerindo um conflito interno sobre a estratégia de preços.
A intervenção direta do presidente Lula, que cobrou a anulação, coloca a Petrobras sob um duplo escrutínio: o técnico da agência reguladora e o político do governo. O caso expõe tensões na governança da estatal entre pressões por preços baixos ao consumidor e a lógica de mercado, enquanto levanta questões sobre os controles internos para leilões de commodities sensíveis. O desfecho da fiscalização da ANP poderá definir novos parâmetros de conduta e acirrar o debate sobre a formação de preços do GLP no país.