CFOs dos EUA: Demissões por IA serão 9 vezes maiores em 2024, mas impacto inicial ainda é limitado
A previsão é alarmante: os diretores financeiros (CFOs) das maiores empresas dos EUA estimam que as demissões causadas pela inteligência artificial serão nove vezes maiores em 2024 do que no ano passado. A cifra, revelada por um estudo em andamento do National Bureau of Economic Research (NBER), surge em meio a um coro de alertas de líderes da indústria de tecnologia sobre o impacto da IA no trabalho de escritório. Mustafa Suleyman, da Microsoft, prevê que esses empregos "desmoronarão" em 18 meses, enquanto Dario Amodei, da Anthropic, projeta que cargos de nível inicial na área serão reduzidos pela metade no mesmo período.
No entanto, os dados atuais pintam um quadro mais sutil e menos apocalíptico. Apesar da projeção de crescimento exponencial, a pesquisa com 750 CFOs revela que menos da metade das empresas já implementou ou planeja implementar cortes de pessoal diretamente ligados à IA no curto prazo. Isso indica que, embora a pressão e a expectativa sejam altas, a onda de demissões massivas ainda não se materializou na maioria das corporações. A narrativa de ruptura iminente convive com uma realidade de adoção gradual.
O cenário cria uma tensão palpável no mercado de trabalho corporativo. De um lado, há a previsão técnica dos CFOs, que controlam os orçamentos e a força de trabalho, apontando para uma aceleração drástica. De outro, a implementação prática ainda é limitada, sugerindo que os impactos podem ser mais concentrados em setores ou funções específicas antes de se generalizarem. A advertência do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, de que a IA já está impactando silenciosamente o mercado, ganha contornos mais precisos com esses dados, que mostram uma disrupção em gestação, cujo ritmo e escala definitivos ainda estão por se confirmar.