Banco Central impõe sigilo de 8 anos sobre documentos da liquidação do Banco Master
O Banco Central (BC) classificou como secretos e impôs sigilo de oito anos sobre todos os documentos relacionados à liquidação extrajudicial do Banco Master. A decisão, assinada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, em novembro, foi revelada pela CNN Brasil após um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI). A medida efetivamente 'blinda' os processos, impedindo o acesso público a informações sobre uma das maiores intervenções bancárias recentes no país.
A classificação de sigilo abrange todo o acervo documental da operação de liquidação do Master, banco controlado pelo empresário Daniel Dantas que foi liquidado extrajudicialmente em 2022 após grave crise de liquidez. A decisão do BC levanta questões imediatas sobre os motivos para um período de sigilo tão extenso, que se estende até 2031, em um caso de interesse público que envolveu recursos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e afetou milhares de correntistas.
A imposição do sigilo máximo sobre o caso Master coloca o Banco Central sob forte escrutínio, pois restringe a transparência em um processo que consumiu recursos públicos e definiu o destino de um banco de médio porte. A medida pode dificultar a investigação de eventuais responsabilidades na gestão do Master e limitar o debate público sobre a eficácia da atuação do próprio BC como liquidante. O sigilo de oito anos cria uma cortina de opacidade em torno de um dos capítulos mais sensíveis da recente regulação financeira brasileira.