Juiz do TJPB saúda advogado de terno verde-oliva em 31 de março; Corregedoria pede apuração
Um juiz convocado do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) saudou publicamente um advogado vestindo terno verde-oliva durante uma sessão da Câmara Criminal realizada no dia 31 de março, data que marca o aniversário do golpe militar de 1964. O gesto, ocorrido em pleno exercício da função judicial, gerou imediata reação interna e levou a Corregedoria do tribunal a determinar a abertura de um procedimento para apurar a conduta do magistrado.
O fato envolve o juiz convocado Marcos Salles, que, ao iniciar os trabalhos da sessão, dirigiu cumprimentos aos presentes e fez referência específica ao advogado pela cor de seu traje. A utilização do verde-oliva, cor historicamente associada às Forças Armadas, em uma data carregada de simbolismo político, transformou uma formalidade de abertura de audiência em um episódio de conotação política explícita dentro do Poder Judiciário. A Corregedoria do TJPB, ao tomar conhecimento do ocorrido, encaminhou o caso para a Presidência do tribunal com um pedido formal de apuração, sinalizando a percepção de que a atitude pode ter violado a necessária imparcialidade e isenção da magistratura.
O episódio coloca sob escrutínio a conduta de magistrados em sala de audiência e reacende o debate sobre a politização de símbolos dentro das instituições do Estado. A abertura de um procedimento corregedor indica que o tribunal reconhece a gravidade potencial do ato, que pode ser interpretado como uma manifestação de apoio a um regime autoritário. A investigação interna determinará se houve violação do código de ética da magistratura, com possíveis consequências disciplinares para o juiz, em um momento de sensibilidade política elevada no país.