CPI do Crime acusa STF de esvaziar investigações após liberar Ibaneis Rocha de depor
A cúpula da CPI do Crime Organizado elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal, acusando a Corte de interferir e esvaziar os trabalhos da comissão. A reação veio após o STF desobrigar o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), de prestar depoimento, uma decisão que os parlamentares consideram um obstáculo direto à investigação.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), e o relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), foram enfáticos em suas críticas. Contarato afirmou que, embora se curve à decisão por ser obrigatória, a advocacia do Senado recorre de todas as medidas anuladas pelo Supremo. Ele destacou um padrão de bloqueio: a CPI aprova a oitiva de uma testemunha, e o STF a desobriga; a comissão autoriza a quebra de sigilo, e a Corte anula. "Não conseguimos investigar. Isso é uma afronta com a população brasileira", declarou o presidente do colegiado.
O episódio expõe uma tensão institucional crescente entre o poder investigativo do Legislativo e a atuação do Judiciário. Sem a presença de Ibaneis, a CPI prosseguiu ouvindo o secretário nacional de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia, mas o cerne da crise permanece. A alegação de esvaziamento coloca sob escrutínio a autonomia das comissões parlamentares e sinaliza um conflito que pode limitar a capacidade de apuração de casos de alto impacto, aumentando a pressão política sobre o STF.