Novo pacote de combustíveis gera dúvidas sobre oferta de diesel e impacto fiscal
O mercado reage com cautela ao novo pacote do governo federal para conter o repasse da alta internacional do petróleo, com incertezas críticas sobre a oferta de diesel e o impacto fiscal. Apesar da afirmação do ministro da Fazenda de que as medidas foram 'milimetricamente calculadas', a leitura predominante é de que faltam informações para reduzir as incertezas de ponta a ponta, especialmente em relação à viabilidade da nova estrutura de subsídios.
O pacote criou duas novas subvenções complementares ao subsídio de R$ 0,32 por litro já vigente para o diesel. A primeira, de R$ 1,20 por litro, incide sobre o diesel importado e conta com a participação dos estados. No entanto, em relatório, o Itaú BBA afirma que a solução para a oferta de diesel importado segue incerta. Para o banco, as medidas anunciadas não são suficientes para fechar completamente a diferença entre o preço doméstico e a paridade de importação, o que mantém o risco de que importadores independentes continuem vendo a operação como inviável.
A criação de uma subvenção para o GLP e medidas para o setor aéreo também fazem parte do pacote, ampliando o escopo da intervenção fiscal. A falta de clareza sobre os mecanismos de execução e o custo final para os cofres públicos coloca o governo sob pressão para fornecer detalhes operacionais. O cenário mantém o setor de combustíveis e os agentes logísticos em um estado de expectativa, aguardando a materialização das medidas e seus efeitos reais sobre a cadeia de abastecimento e as contas públicas.