Galípolo na CPI: Afastar cúpula do BC no início do caso Master poderia parecer 'ação política'
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, revelou à CPI do Crime Organizado que a autoridade monetária deliberadamente evitou uma ação direta e imediata contra seus próprios servidores na investigação do Banco Master. Segundo Galípolo, remover o então diretor de Fiscalização, Paulo Souza, e o ex-chefe de departamento Belline Santana logo no início poderia ter sido interpretado como uma manobra política, e não técnica. Essa preocupação com a percepção pública levou a uma solução interna: a criação de um grupo de análise apartado para conduzir o processo, adiando o afastamento dos funcionários até que a investigação avançasse.
Galípolo detalhou que, em um primeiro momento, a divergência sobre os balanços do Master chegou a ser considerada uma possível questão meramente técnica, o que justificaria uma abordagem mais cautelosa. O depósito na CPI expõe os delicados cálculos institucionais do BC ao lidar com uma crise de fiscalização interna, equilibrando a necessidade de ação rigorosa com o risco de ser acusado de interferência política. A estratégia adotada foi a de isolar a análise, mantendo a equipe sob suspeita em suas funções enquanto um grupo separado coletava evidências.
As declarações jogam luz sobre os bastidores da supervisão que culminou na liquidação do Banco Master, um dos maiores processos do setor nos últimos anos. Elas revelam a pressão e o escrutínio sobre a cúpula do BC, que precisou navegar entre a apuração de supostas falhas de seus próprios quadros e a defesa de sua autonomia técnica perante o Congresso e o mercado. O caso mantém o Banco Central sob foco, levantando questões sobre a eficácia e a agilidade de seus mecanismos de controle interno frente a potenciais irregularidades em instituições financeiras.