BTG Pactual avança na compra do Digimais, banco de Edir Macedo, e aguarda leilão do FGC
O BTG Pactual, maior banco de investimentos da América Latina, deu um passo decisivo para adquirir o Digimais, instituição financeira controlada pelo bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus. A operação, que já conta com um acordo de compra assinado entre as partes, agora depende de um leilão a ser conduzido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC foi acionado para intervir no processo, o que indica que a transação envolve a resolução de uma situação de instabilidade ou necessidade de capital no Digimais, seguindo os protocolos do sistema de garantias.
A oferta inicial partiu do BTG, que busca expandir sua base de captação e sua presença no varejo. A aquisição do Digimais representaria uma entrada significativa no mercado de bancos de nicho com forte apelo a um público específico, no caso, os fiéis da Universal. A conclusão do negócio, no entanto, está condicionada ao desfecho do leilão administrado pelo FGC, mecanismo que visa assegurar a melhor proposta para a solução do banco e a proteção dos seus credores. O processo coloca o regulador no centro de uma negociação que envolve um dos maiores nomes do mercado financeiro e uma das figuras mais influentes do cenário religioso e midiático brasileiro.
A operação sinaliza uma movimentação de consolidação no setor bancário e levanta questões sobre o futuro das operações financeiras ligadas a grandes grupos religiosos. A aprovação final pelo FGC será o ponto crítico que definirá se o BTG conseguirá absorver a carteira e a estrutura do Digimais. O desfecho trará implicações tanto para a estratégia de crescimento do BTG quanto para a estrutura de holdings do bispo Edir Macedo, em um momento de crescente escrutínio sobre as relações entre instituições financeiras e organizações religiosas no país.